Relacionamentos Reais, Brand Content e Quarentena com @caiquenucci_


Inspira. Segura. Expira. Solta. De novo. E mais uma vez.


Grande parte da população já percebeu que estamos caminhando em uma estrada completamente desconhecida, que está nos levando diretamente para o futuro da humanidade - um lugar que parecia bem distante e dentro de qualquer filme de sci-fi.

Neste cenário, estamos mais do que nunca sendo bombardeados a todo momento por notícias e atualizações sobre a propagação do novo COVID-19. E não só isso. Além de todo alerta geral sobre o vírus, também não cansamos de ver manchetes estampando jornais e veículos de comunicação sobre as consequências econômicas, ambientais e sociais dessa pandemia, e quando parece que já vimos de tudo, somos surpreendidos com uma pequena nota na timeline de alguém querendo comprovar que a terra é plana. Aí já é demais. Para onde correr neste momento em que a quarentena se tornou estratégia crucial de sobrevivência?

Realmente, estamos provando uma pitadinha de “fim-do-mundo”... Agora, precisamos entender como acrescentar ela em nosso cardápio diário sem deixar que o gosto ruim tome conta de todo sabor.


Na série Years and Years da HBO, a personagem Bethany convoca os pais para uma conversa séria: ela quer virar trans. Seus pais ensaiam um discurso de aceitação aos transgêneros, e a menina de 15 anos se antecipa: “Não é nada disso, eu quero ser transumana, virar máquina, viver na “eternidade digital”. Mais tarde, a mesma garota implanta um celular nos dedos. Basta um estalo e ela pode atender uma ligação. Tudo ficção? Mais ou menos.

Diferente de outras pandemias que ocorreram no passado, nesta temos uma ferramenta essencial à nosso favor: a internet.


Hoje, todos estamos conectados. Sem mais barreiras de distância ou tempo, onlines até mesmo quando estamos dormindo. Estar conectado deixou de ser opção ou escolha. É destino e obrigação. Sem estar conectado, longe da internet, e fora da rede, a gente “desaparece”. Parece não existir. Sem a internet, a gente não é. Todos estamos presos, ou se preferir a maneira pacífica - pertencemos - a este Zeitgeist, o grande espírito da época, do tempo ou sinal dos tempos das gerações.

As redes online são de suma importância para a atualidade, não somente como movimentos sociais, mas canais de comunicação. Nelas, são formados consumidores que se informam através das opiniões e experiências de outras pessoas especializadas em como comunicar esse conteúdo, a fim de auxiliá-los em um direcionamento de compra e consumo. Esta é a fórmula básica do que chamamos de Influencer Marketing.


Consumir e exibir o que se consome, se tornou carta certa da nossa geração. E isso vai desde roupas, festas, jantares em restaurantes, até experiências seletivas em retiros espirituais. Todos postam a todo momento. Compartilhamos o que queremos ver, e às vezes, até o que não queremos. Por isso, precisamos aprender a desenvolver um filtro próprio, baseado em informações concretas e verídicas, para darmos força ao que realmente deve continuar no trending topics do dia.



Antes da crise atual, já estávamos acompanhando o surgir de pensamentos sobre consumo consciente que ganharam força necessária para fazer com que pequenas e grandes empresas mudassem suas formas de produzir e descartar produtos. É um movimento pequeno quando comparado à quantidade de desenvolvedores irregulares que ainda existem no mundo, mas já têm capacidade suficiente para dizer se grandes labels irão abrir ou fechar suas portas em poucos dias, devido a enxurradas de curtidas e comentários em páginas online. Agora com ela, a tão temida crise da saúde mundial, precisamos mais uma vez nos reinventar e absorver o que há de positivo, para assim, aprendermos a lição e estarmos mais que renovados na melhor versão das formas do que significa ser, comunicar e viver em sociedade.


Como já disse a pesquisadora Holandesa Li Eidelkoort: “Estamos em uma posição de ter uma página em branco para um novo começo, porque muitas empresas e dinheiro serão eliminados no processo de desaceleração. Redirecionar e reiniciar exigirá muita percepção e audácia para construir uma nova economia com outros valores e formas de lidar com a produção, transporte, distribuição e varejo”. E completa, “portanto, se formos sábios – o que, infelizmente, agora sabemos que não somos -, começaremos novamente com novas regras e regulamentos, permitindo que os países voltem ao seu conhecimento e qualidades específicas, introduzindo indústrias caseiras que floresceriam e se tornariam artes e ofícios, onde o trabalho manual é apreciado acima de tudo”


A dualidade sempre existirá. Na balança da vida, sempre torceremos para que o positivo supere o negativo. Na realidade diária dentro de uma sociedade, esse pesar de forças não tem a relevância necessária quando apenas um indivíduo o faz. Cabe a todos nós entendermos os processos que são impostos naturalmente e por consequência dos nossos atos, e compreendermos mais ainda que, mesmo dentro de quatro paredes, não estamos sozinhos - sempre estaremos conectados à pessoas que podem nos ajudar. A coletividade é necessária para o nosso desenvolvimento humano e social. Precisamos aprender a Interser. Essa palavra não está no dicionário ainda, mas descreve muito bem esse momento. Criada por Thich Nhat Hanh, um monge vietnamita, ele defende que, em vez de “eu sou”, “tú és”, “ele é”, nós intersomos. Tudo o que existe é o cossurgir interdependente e simultâneo. E temos um enorme peso sobre o que acontece a partir disso.



E mais uma vez. Inspira. Segura. Respira. Solta.


Caique Nucci

Fashion Stylist & PR


FONTES


Coronavirus offers "a blank page for a new beginning" says Li Edelkoort ​-https://www.dezeen.com/2020/03/09/li-edelkoort-coronavirus-reset/

7 Razões para você não deixar de assistir a "Years and Years", a série britânica do momento.  https://www.huffpostbrasil.com/entry/7-razoes-para-ver-years-and-years_br_5d39ffcde4b0419fd339fa4e Zeitgeist: Caio Fábio explica o que é o "Espirito do tempo."   https://www.youtube.com/watch?v=zgulWpIEvJU

https://www.monjacoen.com.br/textos/textos-da-monja-coen/123-interser


Ilustrações: https://www.instagram.com/nichollekobi/

0 comentário