Castly Talk: Consumo Consciente com @nathalianw


A origem da Black Friday e 5 bons motivos para você repensar a forma com que consome neste dia (e sempre).


29 de Novembro.

Por um dia completo, o mundo inteiro volta toda a sua atenção a uma única coisa:

c o n s u m i s m o.


São 24 horas de pessoas comprando coisas que não precisam e de forma totalmente inconsciente.


Quando surgiu a Black Friday? Por que o evento ganhou esse nome? Quais são as consequências desse consumo desenfreado para o planeta em que vivemos?



RESENHA HISTÓRICA


A Black Friday acontece sempre após o Dia de Ação de Graças, que é celebrado nos Estados Unidos como um feriado para agradecer, comer e ficar em família. O Dia de Ação de Graças nos EUA também ajudou a criar o imaginário do consumo. A data é conhecida pelos desfiles que acontecem nas ruas do país, geralmente patrocinados por grandes marcas. Essa tradição começou no final do século 19 e dura até hoje, tendo como exemplo o famoso o desfile da loja e departamentos Macy’s, que acontece anualmente em Nova York.

O primeiro registro do uso do termo Black Friday vem de 1869, quando acionistas de Wall Street resolveram comprar grandes quantidades de ouro dos Estados Unidos, esperando vender por preços bem maiores. Mas em setembro daquele ano – numa sexta-feira – o mercado de ouro quebrou, deixando diversos investidores e empresas de Wall Street arruinadas – daí o termo “black” para se referir à crise daquela sexta-feira.


BLACK FRIDAY NO BRASIL


Pra começo de conversa, por aqui não faz sentido comemorar a Ação de Graças, já que se trata de um evento que simboliza a colonização britânica da América do Norte, porém, é evidente a forma com que a data tenha caído no gosto brasileiro. Desde 2010, quando aconteceu a primeira Black Friday no país, o número de lojas que resolveu aderir à moda só aumentou. A Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) divulgou uma pesquisa do Facebook em parceria com a E-bit, que revelou que 80% dos brasileiros têm intenção de fazer compras neste período de promoções.

De acordo com dados do portal Black Friday Sale, em 2017 a data gerou um aumento de 73% de vendas de celulares e eletrônicos em relação a outras sextas-feiras normais. Na sequência ficam os livros, filmes, músicas e jogos, com 32% de aumento, e moda e acessórios com 10% de crescimento.


5 principais impactos destrutivos de um consumo

inconsciente:


O problema desse consumo intenso é que, muitas vezes, nem pensamos no como, onde e por quem o produto foi produzido.

Ou seja, como funciona toda a cadeia por trás daquele produto que chega ás suas mãos.

Não só piora o bem-estar ambiental, mas também o bem-estar humano. Tudo precisa de recursos naturais para ser concebido; entre eles a água, o minério, o solo e as plantas e também a mão de obra humana.


ACÚMULO DE LIXO ELETRÔNICO


Uma pesquisa realizada pela Universidade das Nações Unidas em parceria com a União Internacional das Telecomunicações mostrou que no mesmo ano a população global produziu 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Até 2021, esse número deve crescer 17%. Um dos maiores perigos desse tipo de resíduo é a contaminação do solo, rios e lençóis freáticos com metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio.


PRODUÇÃO DOS SUPRIMENTOS TÊXTEIS


Na moda, o cultivo do algodão exige uso intensivo de água, enquanto tecidos sintéticos, como o poliéster, são derivados do petróleo. Em ambos os casos, o descarte dos líquidos residuais não tratados usados no tingimento pode liberar substâncias tóxicas e metais pesados nas fontes de água locais. Dessa forma, a saúde dos animais e dos próprios seres humanos é prejudicada.


MÃO DE OBRA DESUMANA

Com o aumento do consumo, a fabricação das roupas é impulsionada. Para manter os preços acessíveis, ela é deslocada para países de baixae média rendas, responsáveis por 90% da produção mundial de vestuário. O estudo estima que 80 bilhões de peças de roupas são compradas anualmente, com rendimento de US$ 1,2 trilhão para aindústria de moda global. A maior parte da produção ocorre na China e em Bangladesh.


EMBALAGENS DE ITENS & TRANSPORTE


Segundo o estudo lançado pelo WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2, revela o estudo conduzido pelo WWF.


Para o produto chegar até a casa de quem comprou, o caminhão usado notransporte vai soltando fumaça e emitindo gás carbônico na atmosfera. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), mostram que o nível de gás carbônico na atmosfera da Terra cresceu pelo sétimo ano consecutivo. No último mês de maio, os

níveis médios de emissão foram de 414,7 partes por milhão ( ppm), a maior marca desde 1958.



O que você pode (e deve) fazer então?


Evite comprar por Impulso


Considerando todas as questões abordadas acima e que o número de

consumidores inadimplentes no Brasil chegou a 63 milhões em março de 2019, o que representa 40,3% da população adulta do país está com dívidas atrasadas e negativadas.

Pense bem antes de comprar.


Entenda os bastidores da produção daquele produto


Consumo responsável significa adquirir produtos eticamente corretos, ou seja, cuja elaboração não envolva a exploração de seres humanos, animais e não provoque danos ao meio ambiente.


Reutilize as Embalagens Vazias


Nós não conseguimos guardar e reutilizar cada embalagem de produto que compramos, mas podemos tentar. As embalagens funcionam como containers de produtos e podem ser destinadas a novos propósitos. Eles podem ser reutilizados como potes, guarda-trecos, para viajar, vasos de plantas, e por aí vai.


Compre de pequenos empreendedores locais


Existem hoje no Brasil mais de 10 milhões de micro e pequenas empresas, que respondem por nada menos que 27% do PIB nacional. São negócios que empregam 17 milhões de pessoas. Ao comprar do pequeno empreendedor, as pessoas ajudam aquele negócio a se desenvolver e, consequentemente, a melhorar seus serviços no futuro.


Dissemine a causa


Seja um militante da causa: sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas.



Nathalia Nasralla

Castler


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